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Quando o tamanho não mede a relevância de uma revista científica — Et al. #384

Por Zeppelini Editorial 21 set 2026 6 min de leitura
Quando o tamanho não mede a relevância de uma revista científica — Et al. #384

O debate sobre o futuro da comunicação científica costuma ser conduzido a partir de números que impressionam: quantidade de artigos publicados, bases de dados, alcance internacional, recursos tecnológicos e capacidade de investimento. Geralmente, grandes editoras e periódicos ocupam o centro das discussões. Mas uma pergunta merece mais espaço: o tamanho de uma revista científica determina sua relevância?

A resposta parece menos evidente diante da diversidade do ecossistema editorial. Ao lado dos grandes títulos internacionais, existe uma extensa rede de periódicos independentes, institucionais e especializados. Muitos têm equipes reduzidas, orçamentos modestos e menor capacidade de investimento em tecnologia. Ainda assim, cumprem funções que dificilmente poderiam ser substituídas por estruturas de grande escala.

Uma dessas funções está na proximidade com as comunidades acadêmicas. Revistas pequenas frequentemente conhecem pesquisadores, grupos de pesquisa e questões que movimentam determinado campo. Essa proximidade pode favorecer uma relação editorial menos impessoal, na qual autores e pareceristas não são apenas nomes em uma plataforma, mas integrantes de uma comunidade científica.

A especialização também pode ser uma vantagem. Enquanto grandes periódicos lidam com um universo amplo de submissões, uma publicação voltada para um nicho específico pode construir identidade editorial mais definida. Em determinadas áreas, ser referência para um grupo de pesquisadores pode representar mais valor científico do que alcançar milhões de visualizações sem estabelecer vínculos consistentes.

Isso não significa ignorar os desafios. Periódicos pequenos enfrentam dificuldades para manter regularidade, financiar plataformas, profissionalizar fluxos editoriais, preservar arquivos digitais e acompanhar exigências de indexação, interoperabilidade e ciência aberta. A sobrecarga costuma recair sobre equipes enxutas, muitas vezes dependentes do trabalho voluntário.

Contradição

Há, portanto, uma contradição importante. O sistema científico exige cada vez mais profissionalização editorial, mas nem sempre oferece condições proporcionais para que periódicos menores se estruturem. Em alguns casos, critérios de avaliação privilegiam escala e visibilidade acumulada, criando um círculo no qual os periódicos maiores atraem mais autores, recebem mais citações e ampliam sua capacidade de investimento.

O caminho, contudo, não precisa ser o da imitação. Uma revista pequena dificilmente competirá com uma grande editora em volume de publicação ou orçamento tecnológico. Pode, porém, competir em outros terrenos. Processos editoriais organizados, comunicação eficiente com autores, especialização temática, transparência, qualidade da revisão por pares e preservação digital são atributos capazes de produzir confiança — um ativo que não se mede apenas em escala.

A internacionalização também deixou de depender exclusivamente de grandes estruturas comerciais. Metadados bem estruturados, identificadores persistentes, DOI, atribuição correta de autoria e afiliação, interoperabilidade com sistemas de indexação e publicação em mais de um idioma podem ampliar a descoberta dos artigos. Nesse ambiente, a qualidade da infraestrutura digital torna-se tão importante quanto o número de documentos publicados.

Outra oportunidade está na cooperação. Periódicos independentes podem compartilhar ferramentas, experiências, capacitação e serviços especializados. Universidades e associações científicas também podem oferecer infraestrutura editorial comum, preservação digital e apoio técnico. Em vez de reproduzir estruturas caras individualmente, diferentes revistas podem construir redes capazes de reduzir custos e elevar padrões.

Nichos de pesquisa

Há ainda uma dimensão científica que não deveria ser negligenciada. Nichos de pesquisa não são necessariamente pequenos em importância. Muitas áreas emergentes começam em comunidades restritas antes de ganhar projeção. Periódicos especializados podem funcionar como espaços de experimentação intelectual, acolhendo temas e debates que ainda não encontraram lugar nos grandes veículos.

Por isso, talvez seja inadequado tratar o ecossistema editorial como uma competição entre grandes e pequenos. A questão mais relevante é saber se cada periódico consegue cumprir, com credibilidade e sustentabilidade, a função científica a que se propõe. Uma revista pode publicar poucos artigos e exercer influência decisiva em determinada comunidade.

O desafio para editores, publishers e universidades está em construir critérios que reconheçam essa diversidade sem abrir mão da qualidade. Impacto científico não deveria ser confundido automaticamente com tamanho, assim como internacionalização não deveria significar apenas publicar para fora. A relevância pode estar na capacidade de conectar pesquisadores, preservar debates e dar visibilidade a campos que poderiam permanecer nas margens.

No fim, a importância de uma revista científica não está em seu tamanho, mas na capacidade de se tornar necessária para uma comunidade. Em um ecossistema cada vez mais concentrado, preservar espaços editoriais especializados, independentes e próximos de suas comunidades pode ser menos uma questão de escala do que de diversidade. Talvez seja essa diversidade que impeça a comunicação científica de se transformar em um sistema eficiente, mas excessivamente uniforme.

Palavra do CEO

“A Zeppelini foi construída para servir exatamente esse universo. Periódicos que não têm equipe de 50 pessoas, que dependem de editores voluntários, que publicam em nichos onde o fator de impacto ainda não chegou. E posso dizer com segurança: alguns dos trabalhos editoriais mais rigorosos que já vimos vieram dessas revistas. Tamanho não é sinônimo de qualidade. Mas descuido de infraestrutura é sinônimo de invisibilidade. Minha recomendação para editores de periódicos menores: invistam onde multiplica. Metadados corretos, DOI ativo, fluxo editorial organizado e preservação digital consistente fazem mais pela relevância da sua revista do que qualquer campanha de visibilidade improvisada.”

Marcio Zeppelini, CEO da Zeppelini Publishers

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(*) Fundada em 2000, a Zeppelini Publishers atua no segmento editorial técnico e científico, atendendo empresas e organizações e desenvolvendo estratégias para todas as áreas da produção de publicações impressas e online.

Imagem: rawpixel / Magnific

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